A psicanálise é uma forma de tratamento psicológico criada por Sigmund Freud no fim do século XIX, baseada na ideia de que parte do que nos faz sofrer não é consciente. Na prática, ela funciona por meio da fala: em sessões regulares, a pessoa fala livremente sobre o que lhe ocorre, e a analista escuta com atenção aquilo que se repete, escapa ou insiste. Aos poucos, esse trabalho permite compreender o que sustenta o sofrimento e abrir espaço para outras formas de viver.
Ainda assim, muita gente chega à primeira sessão sem saber bem o que vai acontecer. Este texto responde às dúvidas mais comuns.
O que é o inconsciente, em poucas palavras?
Inconsciente é o nome que a psicanálise dá àquilo que nos afeta sem que tenhamos acesso direto: desejos, medos, lembranças e conflitos que não aparecem com clareza, mas se manifestam em sintomas, sonhos, esquecimentos, atos falhos e repetições.
Quando alguém diz “não sei por que sempre faço isso”, está, de certa forma, falando do inconsciente.
Como é uma sessão de psicanálise?
Uma sessão costuma durar entre 50 e 60 minutos e acontece com frequência regular, em geral semanal. Não há roteiro, pauta ou tarefa de casa. O convite é para a associação livre: falar do que vier à cabeça, sem precisar organizar o pensamento, escolher o que é importante ou evitar o que parece sem sentido.
Da parte da analista, a escuta é atenta e sem julgamento. As intervenções acontecem em momentos pontuais, apontando relações, repetições e sentidos que a própria pessoa pode não ter percebido. Não há conselhos prontos, porque a proposta é que as respostas sejam construídas por quem está em análise.
O divã é obrigatório?
Não. O divã é o símbolo mais conhecido da psicanálise, mas muitos processos acontecem frente a frente, e o atendimento online, por videochamada, é hoje uma forma consolidada de análise. O que sustenta o trabalho não é o móvel. É a qualidade da escuta e a regularidade dos encontros.
O que se fala em análise?
Qualquer coisa. Sonhos, situações do dia, conflitos no trabalho, lembranças de infância, irritações que parecem pequenas demais. Muitas vezes, aquilo que parece sem importância leva a questões centrais.
Também não é preciso chegar com um problema bem definido. Um mal-estar difuso, a sensação de estar sempre no mesmo lugar ou uma pergunta sobre si mesmo já são pontos de partida.
Quanto tempo dura uma análise?
Não há prazo fixo. A duração depende do que levou a pessoa até ali, do momento de vida e do ritmo de cada um. Alguns processos são mais breves, ligados a uma questão específica. Outros duram anos, porque o trabalho continua fazendo sentido.
A decisão de encerrar é construída em conjunto e pode ser revista sempre que a pessoa sentir que é o momento.
Qual a diferença entre psicanálise e outras abordagens?
Cada abordagem tem seu método. A terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, costuma trabalhar com objetivos definidos, técnicas estruturadas e atenção a pensamentos e comportamentos do presente. A psicanálise parte de outra pergunta: o que, na história e no modo de desejar de cada pessoa, sustenta aquilo que ela vive hoje. Por isso, trabalha sem protocolo e dá mais espaço ao que aparece de forma inesperada na fala.
Nenhuma abordagem é melhor em termos absolutos. Vale escolher a que faz mais sentido para você e para o que você busca.
Para quem a psicanálise é indicada?
Para adultos que sentem que algo se repete na própria vida, que querem entender a origem de um sofrimento e não apenas aliviá-lo, ou que atravessam momentos de crise, transição ou angústia difusa. Ansiedade, tristeza persistente, conflitos nos relacionamentos, questões de autoestima, sintomas físicos sem causa aparente e lutos são demandas frequentes.
Em situações de crise aguda ou de risco à vida, o acompanhamento precisa incluir outros cuidados, como avaliação psiquiátrica e uma rede de apoio. Isso é conversado desde o primeiro contato.
Psicanalista e psicóloga: qual a diferença?
No Brasil, a psicanálise não é uma profissão regulamentada por lei, e a formação de psicanalistas acontece em instituições próprias. A Psicologia, por sua vez, é uma profissão regulamentada, que exige graduação e registro no Conselho Regional de Psicologia.
Quando uma psicóloga tem formação em psicanálise, ela reúne as duas coisas: a formação clínica psicanalítica e o compromisso ético e legal com o conselho profissional. Ao procurar um profissional, vale sempre perguntar sobre a formação.
Perguntas frequentes
Preciso falar sobre a minha infância?
Não necessariamente. Fala-se do que vier. Muitas vezes o passado aparece por conta própria, porque está ligado ao que se vive no presente.
E se eu não souber o que falar?
É comum, especialmente no início. O silêncio e a dificuldade de começar também fazem parte do processo e podem ser trabalhados.
A psicanálise funciona online?
Sim. O atendimento por videochamada mantém o que é essencial: a regularidade, o sigilo e o vínculo entre paciente e analista.
Quantas sessões por semana?
Em geral, uma. A frequência é definida em conjunto, de acordo com a demanda e o momento de cada pessoa.
O atendimento é por convênio?
Os atendimentos são particulares, com emissão de nota fiscal para solicitação de reembolso junto ao plano de saúde, conforme as regras de cada convênio.
Um espaço para conversar
Se você tem curiosidade sobre como seria começar e quer ter a oportunidade de conversar sobre o que tem vivido, podemos começar por uma conversa.
Raquel Ribes é psicóloga clínica (CRP 06/185198), graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com pós-graduação em Psicossomática pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa e pós-graduação em fundamentos da Psicanálise e sua prática clínica pelo Instituto Sedes Sapientiae.
Um comentário
[…] você fala do que vier, e a escuta acompanha o que aparece. Expliquei com mais detalhes nos textos Como funciona a psicanálise e Psicanálise online […]